O Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (Ceic) está iniciando discussões conjuntas para parceria com pesquisadores brasileiros e europeus visando ao desenvolvimento de uma solução inovadora para o gerenciamento de crises em grandes eventos. O grupo elabora uma plataforma computacional inteligente, chamada Rescuer – Reliable and Smart Crowdsourcing Solution for Emergency and Crisis Management. A tecnologia busca aliar informações provenientes da multidão via dispositivos móveis, como tablets e smartphones, com dados obtidos das equipes de socorro e emergência – como Defesa Civil, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, a fim de construir um mapa da situação e possibilitar a tomada de decisões. A pesquisa também inclui a elaboração de estratégias para instruir a população que está em risco e direcionar corretamente as forças de resgate e combate.
A discussão para a parceria foi iniciada com a visita de um grupo de pesquisadores ao centro na última sexta-feira, 13. A coordenadora do projeto na Europa, Karina Villela, do Instituto Fraunhofer de Engenharia de Software Experimental (Iese), da Alemanha, estava acompanhada de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – Renato Novais, coordenador adjunto, Pedro Kislansky  e Paulo Roberto Simões Júnior. O analista de sistema do Centro Integrado de Comando e Controle da Bahia (CICC), Flávio Dusse, também esteve presente. Recebidos pelo coordenador geral do Ceic, Airton Carlos da Costa, o grupo apresentou o projeto, que deve ser finalizado no primeiro semestre de 2016. Com a aproximação, o centro gaúcho passa a participar do projeto como observador e pode trabalhar no desenvolvimento de um projeto piloto, para testar a solução.
A ferramenta, desenvolvida por um grupo de mais de 40 pesquisadores brasileiros, alemães, austríacos e espanhóis, prevê que as informações provenientes da multidão (crowdsourcing) podem ser captadas, em tempo real, e encaminhadas para centros de comando. Nessa fase inicial de desenvolvimento, o aplicativo possibilita ao usuário selecionar uma das quatro opções disponíveis (fogo, explosão, pânico de massa ou outro) e alertar a respeito. Automaticamente, um mapa é exibido indicando a localização. A partir dessa interação inicial o usuário do aplicativo pode fornecer informações mais detalhadas sobre o evento, gerando dados, imagens e vídeos para o centro de comando.
Para a análise dos dados, os centros vão receber as informações extraídas da multidão. O kit de ferramentas que o RESCUER pretende fornecer à central de comando engloba ainda uma tela com um mapa apresentando de forma simples e em tempo real a situação de emergência. Além de atuar em prol desse fluxo de informações que nasce da multidão e é direcionado para o centro de comando, o projeto também vai reger as interações que serão estabelecidas entre esse centro e seus vários públicos. Um dos caminhos apontados é fornecer a todos os envolvidos no resgate e combate uma visualização conjunta dos planos de ação propostos. A última etapa seria a comunicação, automatizada, com os diferentes públicos atingidos pela crise: sociedade, imprensa e autoridades públicas.
Financiada pela União Europeia e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a iniciativa conta também com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), coordenadora do projeto do lado brasileiro; o Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP, em São Carlos; a Universidade Politécnica de Madri; o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari; as empresas MTM Tecnologia, Vomatec e FireServ; e o Centro de Pesquisa Alemão em Inteligência Artificial (DFKI).